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20 de jul de 2014

Eu não sei

mariam.ge

Em algum momento, toda mãe manda os filhos saírem do computador. E eu sei que esse pode parecer um começo engraçado de post, mas não é. Eu não sei o que esse lugar é para vocês, mas eu sei o que é para mim. É mais seguro, mais fácil ou nem tanto e mais acessível do que terapia. Eu não confio nem em mim mesma para contar meus pensamentos, o que dizer de um estranho?
Mas também não é sobre isso que eu quero falar. Esse lugar é meu refúgio. Não do tipo "meus pensamentos mais íntimos estão aqui" (acho até que isso tá no welcome, crenDeusPai), não. Do tipo "aqui eu sou apenas mais alguém". Porque minha vida lá fora é uma caca. Não é horrível, mas é uma caca. E é nesse momento em que eu fico feliz por ninguém saber quem eu sou.
Hoje é domingo, certo? Dia de RJM. A única coisa que eu gosto nas RJM são os recitativos individuais. Por quê? Porque é a única coisa divertida. Não importa o que aconteça, eu não sou a maior fã dos hinos, nem de seja-lá-o-que-haja. Quem sabe das perguntas, mas não do resto. Porque recitar é a única coisa na qual eu sou boa. Eu posso pegar uma parte e decorar, sei lá, quinze versículos e depois falar quase perfeitamente. Ninguém pode tirar isso de mim. É algo meu, que eu consegui e que eu escolhi e que eu gosto de fazer e que eu tenho. Eu tenho poucas coisas.
Talvez seja aquela parte depressiva do mês falando. Não é TPM nem nada, cara. Nem. É a parte em que eu leio Os 13 Porquês e escuto instrumental (o que eu faço o tempo todo) e fico muito tempo sozinha, o que abre passagem para os pensamentos depressivos e quase suicidas. Mas eu não sou nenhuma Hannah da vida. Eu tenho diários, e quando eles não são o suficiente, eu tenho o blog. Eu tenho, sei lá, fanfictions? Também tenho meus livros whatever?.
O que me faz voltar ao que eu falei lá no começo. Aqui eu sou um ninguém, ou qualquer um, mas eu não sou a Quezia. Quer dizer, não eu eu. É aqui que entra o meu conflito de personalidade, lutando para saber quem eu sou. Que merda, estou parecendo uma emo do tumblr falando. É como eu disse no título. Eu não sei.  Vocês aí, que sabem tudo, me digam. O que vocês sabem sobre isso? Porque eu estou bem ignorante agora. Bem burra, para ser franca. E já que eu estou soltando o verbo, eu também vou dizer porque eu escrevo ou porque estou aqui enchendo o saco alheio.
A mente é um labirinto. Cheio de tudo o que há. E quando a minha já está pilhando, doendo, com meus neurônios dizendo que há muita carga, eu preciso descarregar de algum modo. Meu diário está meio longe (mesmo que soe infantil, manter diários é bom, impede que uma pessoa com muitos pensamentos enlouqueça) e a internet não é aquela coisa de compartilhamento global onde cada um possui a tal da liberdade de expressão e o escambau? Não é por isso que nós entramos por essas portas, cada um pelo seu motivo, mas todos aqui? De algum modo?
Reescrevendo o que eu já disse, vocês que sabem de tudo, me digam aí. Soltem o verbo, eu estou afim de saber. Afinal, gastei quase oitocentos paus nesse óculos pra ler, não foi?

9 de jul de 2014

Eu irei

Flaws

Daqui a 70 anos, eu estarei sentada em uma daquelas cadeiras de balanço esquisitas, que vão para frente e para trás. Eu estarei com o rosto repleto de rugas, quem sabe cega, ou com fundos de garrafa. Meus cabelos estarão brancos, eu não sei se longos ou não, mas espero que sim. Eu terei uma penca de netos e bisnetos ao meu redor, ou não, porque tenho vocação para ser aquelas velhas chatas e rabugentas que todos evitam ao máximo.
Eu terei uns oitenta e poucos anos, talvez sem lembrar meu próprio nome. É como diz aquela parte da Bíblia, os que chegam aos oitenta só possuem enfado e cansaço. Eu espero ter alguém ao meu lado, alguém que tenha se acostumado a mim, alguém que me ature. Alguém que me ame, porque eu o aceitarei de bom grado. Nós vamos ter mãos enrugadas e com pencas ao redor das alianças em nossos dedos. Esse alguém irá beijar cuidadosamente minha mão, e iremos escutar as gotas de chuva que vão aumentando aos poucos, causando fortes ruídos no telhado, que amplifica o som.
A essa altura, eu terei esquecido várias coisas. Que algum dia tive um blog, como era desenhar, escrever, estudar. Eu não sei se vou me importar em perder essas lembranças. Sei que saberei que devo ter vivido minha vida bem. Nunca vi ninguém viver tantos anos sem valer à pena. Nessa idade, eu terei enfadado das palavras, vou ter aprendido como viver com algo além. Os gestos, quem sabe. Eu terei alguém tocando piano perto, ou quem sabe um violino, uma clarineta. Tocarão uma melodia que sabem que eu gosto, que me deixa tranquila.
Naquele momento, eu chegarei ao ponto em que estarei tão feliz, tão em paz, que a morte chegando não poderá mais ser algo ruim, mas uma certeza quase amiga. Eu segurarei sua mão, fecharei os olhos e vou me esquecer de tudo. Eu irei em paz e feliz.
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